Intima-media thickness of common and internal carotid arteries in patients with hepatosplenic schistosomiasis mansoni

Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Jan 2009

OBJECTIVE: To evaluate the intima-media thickness (IMT) of common and internal carotid arteries in patients with hepatosplenic schistomiasis mansoni and those who underwent portal decompression surgery (splenectomy and left gastric artery ligature). Both groups were compared with a health volunteer control group, living in the same social-economic-environmental conditions. MEHTODS: An ultrasound Doppler with a 7.5 MHz probe was used. The IMT was measured in the three groups with 20 individuals each, of both gender, with ages ranging from 20 to 60 years. The mean and standard deviations of common and internal carotid arteries maxIMT, medIMT, minIMT were assessed. Risk factors: age, systemic arterial hypertension and cigarette smoking were investigated as regard to IMT measurements. RESULTS: There were no statistical differences in IMT between right and left side, and among surgical, non-surgical and control groups. The surgical treated patients and controls showed correlation to known atherosclerotic risk factors: age, hypertension and cigarette smoking. However, non-surgically treated patients did not present the same correlation. CONLCUSION: It is tempting to believe that non-operated schistosomotic patients may have "some protection" against atherogenesis in human beings; however, the data do not lend full support to this hypothesis.Keywords : Schistosomiais; Atherosclerosis; Ultrasonics.

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Intima-media thickness of common and internal carotid arteries in patients with hepatosplenic schistosomiasis mansoni

Guimarães Complexo miointimal das carótidas comum e interna em portadores de esquistossomose mansônica Artigohepatoesplênica Original 292 Complexo miointimal das carótidas comum e interna em portadores de esquistossomose mansônica hepatoesplênica Intima-media thickness of common and internal carotid arteries in patients with hepatosplenic schistosomiasis mansoni ANDRÉ VALENÇA GUIMARÃES1; CARLOS TEIXEIRA BRANDT, TCBC-PE2; ADRIANA FERRAZ1 R E S U M O Objetivo: Avaliar a espessura do complexo miointimal (IMT) das carótidas comum e interna, em portadores de esquistossomose hepatoesplênica (EHE) não tratados cirurgicamente, já submetidos a cirurgia para descompressão do sistema porta por esplenectomia e ligadura da veia gástrica esquerda, e comparar com volutários de condições sócio-econômico-ambientais similares, não portadores de esquistossomose. Métodos: Utilizando aparelho de ultra-som Doppler de 7,5MHz foram mensurados os IMT de três grupos de voluntários, de ambos os gêneros, com idades que variaram de 20 a 60 anos, sendo avaliados os IMT máximos, IMT médios, IMT mínimos e seus desvios-padrão, das carótidas comuns e internas e feitas as comparações entre os grupos e suas associações com fatores de risco: idade, hipertensão arterial e tabagismo. Resultados: Não houve diferença significante na média dos IMT, entre os lados direito e esquerdo e nem entre os grupos. Nos pacientes tratados cirurgicamente, assim como nos indivíduos-controle confirmou-se a associação, já conhecida, com os fatores de risco para aterosclerose (idade, hipertensão arterial e tabagismo). Contudo, não se observou este comportamento nos pacientes não operados. Conclusão: A EHE sem tratamento cirúrgico parece conferir “alguma proteção” contra a aterogênese em seres humanos; todavia, os achados não dão suporte definitivo a esta hipótese. Descritores: Esquistossomose. Aterosclerose. Ultra-som. INTRODUÇÃO A s primeiras manifestações da doença cardiovascular surgem num estágio avançado da aterosclerose. Mas, as modificações da parede arterial ocorrem durante período subclínico, caracterizado por progressivo espessamento do endotélio. Esse órgão endócrino é responsável por processos fisiológicos vitais para a homeostase vascular1. Havendo fatores de risco, o espessamento endotelial pode ser identificado já na infância, e pode ser preditivo de eventos cardiovasculares em adultos2-4. Desde a descrição inicial anátomo-patológica, vários artigos foram publicados associando as medidas ultra-sonográficas (espessamento miointimal - parte identificável do endotélio) com doenças cardiovasculares5. A precisão, a reprodutibilidade e a rapidez do ultra-som Doppler têm transformado este método numa ferramenta poderosa para o diagnóstico precoce, para o acompanhamento das lesões ateroscleróticas e mesmo na avaliação de resultados em estudos populacionais6. Já há vários fatores de risco bem estabelecidos para a aterosclerose como a hipertensão, a dislipidemia, o tabagismo e diabetes7. Contudo, há outros fatores que ainda geram controvérsias com relação ao valor preditivo dos achados. Entre esses, as infecções bacterianas (C. pneumoniae, H. pylori), virais (H.simplex, Epstein-Barr.) e parasitárias (T.cruzi, S.mansoni)8. A esquistossomose, doença endêmica em várias regiões do mundo, e de grande prevalência em Pernambuco, tem sido alvo de pesquisas envolvendo a prevenção, os tratamentos clínico e cirúrgico para diminuir os efeitos da hipertensão no sistema porta, do hiperesplenismo e do hipoevolutismo9,10 . Têm sido mostradas importantes modificações do perfil lipídico nos portadores da forma avançada da doença11. O que se especula, é se estes achados poderiam produzir efeitos no comportamento do complexo miointimal. Não há relato na literatura da medida do complexo miointimal das carótidas de portadores da forma hepatoesplênica da esquistossomose para fins preditivos de doença degenerativa arterial, justificando a presente investigação. Por outro lado, não foi investigado se as alterações lipídicas em portadores humanos de esquistossomose mansônica na forma hepatoesplênica interferem no fenômeno da aterogênese. Os objetivos da investigação foram avaliar a espessura do complexo miointimal das carótidas comum e interna de portadores de esquistossomosse mansônica na Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Gerald a Criança e Ambulatório de Esquistossomose – Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. 1. Doutor em Cirurgia pela Universidade Federal de Pernambuco; 2. PhD – The University of Liverpool, UK. Rev. Col. Bras. Cir. 2009; 36(4): 292-299 Guimarães Complexo miointimal das carótidas comum e interna em portadores de esquistossomose mansônica hepatoesplênica forma hepatoesplênica através do ultra-som Doppler colorido. MÉTODOS O estudo, tipo caso-controle, foi realizado nos Serviços de Cirurgia Geral da Criança, de Gastroenterologia da UFPE e no Serviço de Ultra-sonografia Vascular do Centro Diagnóstico José Rocha de Sá em Recife-Pernambuco. A amostra foi constituída de três grupos de indivíduos de ambos os gêneros com idades variando de 20 a 60 anos arrolados aleatoriamente nos ambulatórios de Cirurgia Geral da Criança e Gastroenterolgia da UFPE. Grupo I (EHE) - pacientes de ambos os gêneros: sendo seis homens e 14 mulheres, com história clínica e exames laboratoriais positivos para a esquistossomose mansônica hepatoesplênica não operados. Quanto ao grau de instrução, a maioria tinha apenas o 1º grau incompleto (16 pacientes) e apenas dois pacientes completaram o 2º grau. A média de idade foi de 44 anos, o peso médio de 59kg, a altura 1,58m e IMC de 24. Neste grupo não houve pacientes diabéticos, três pacientes eram hipertensos e três fumavam. Grupo II (EHE-OP) - pacientes de ambos os gêneros: sendo sete homens e 13 mulheres, com história clínica e exames laboratoriais positivos para esquistossomose mansônica hepatoesplênica, já submetidos a esplenectomia total, ligadura da veia gástrica esquerda, e escleroterapia de varizes esofagianas quando apresentaram recidiva hemorrágica. Com relação ao grau de instrução a maioria (16 pacientes) tinha apenas o 1º grau incompleto e apenas dois concluíram o 2º grau. A média de idade foi de 38 anos, o peso médio de 59kg, altura média de 1,56m e IMC de 24. Não houve pacientes diabéticos neste grupo, oito pacientes eram hipertensos e três pacientes fumavam. Grupo III (Controle)) - voluntários de ambos os gêneros: sendo quatro homens e 16 mulheres não portadores de EHE, de mesma faixa etária e condições sócio-econômico-ambientais. Com relação ao grau de instrução, sete pacientes tinham o 2º grau completo e três pacientes tinham o 1º grau completo. O restante tinha apenas o 1º grau incompleto. A média de idade foi de 37 anos, o peso médio foi de 67kg, a altura média foi de 1,58m e o IMC foi de 27. Neste grupo também não houve diabéticos, quatro pacientes eram hipertensos, três pacientes tinham dislipidemia e um paciente fumava. Foram excluídos todos os indiv (...truncated)


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André Valença Guimarães, Carlos Teixeira Brandt, Adriana Ferraz. Intima-media thickness of common and internal carotid arteries in patients with hepatosplenic schistosomiasis mansoni, Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 2009, pp. 292-299, Volume 36, Issue 4, DOI: 10.1590/S0100-69912009000400004