Biologia e exigências térmicas de Trichogramma pretiosum Riley e T. exiguum Pinto & Platner (Hymenoptera: Trichogrammatidae) criados em ovos de Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae)
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March - April 2004
BIOLOGICAL CONTROL
Biologia e Exigências Térmicas de Trichogramma pretiosum Riley e T.
exiguum Pinto & Platner (Hymenoptera: Trichogrammatidae) Criados em
Ovos de Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae)
FABRICIO F. PEREIRA1, REGINALDO BARROS2, DIRCEU PRATISSOLI3 E JOSÉ R.P. PARRA4
1
Depto. Biologia Animal, Entomologia, Lab. Controle Biológico de Insetos, Universidade Federal de Viçosa
36571-900, Viçosa, MG, e-mail:
2
Depto. Agronomia/Fitossanidade, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Av. Dom Manuel de Medeiros S/N,
Dois Irmãos, 52171-900, Recife, PE, e-mail:
3
Alto Universitário S/N, C. postal 16, 29500-000, Alegre-ES, e-mail:
4
Depto. Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola, ESALQ/USP, C. postal 9, 13418-900, Piracicaba, SP
e-mail:
Neotropical Entomology 33(2):231-236 (2004)
Biology and Thermal Requirements of Trichogramma pretiosum Riley and T. exiguum Pinto & Platner
(Hymenoptera: Trichogrammatidae) Reared on Eggs of Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae)
ABSTRACT - This biology of Trichogramma pretiosum Riley and T. exiguum Pinto & Platner in
Plutella xylostella (L.) eggs was studied at seven constant temperatures, and the thermal requirements
and number of generations of both parasitoids was determined for some crucifers producers of the
states of Espírito Santo and Pernambuco. Eggs of P. xylostella were submitted to parasitism by T.
pretiosum and T. exiguum for 5h, and transferred to climatic chambers regulated to 18, 20, 22, 25, 28,
30 and 32ºC. The developmental time was influenced by the temperature varying from 6.8 to 23.1 days
for T. pretiosum and 6.9 to 22.0 days for T. exiguum at 32 and 18°C, respectively. The percentage of
emergence was higher at 28ºC, reaching 86% for both species. The sex ratio was always 1 for T.
pretiosum and varied from 0.6 to 0.9 for T. exiguum. The thermal constant (K) and base temperature
(Tb) were higher for T. exiguum (129.99 days degrees and 13.13ºC) when compared with T. pretiosum
(123.03 days degrees and 12.52ºC). The estimated number of annual generations of T. pretiosum and
T. exiguum for Gravatá district was 36.9 and 36.7 generations respectively. The same number, however
for Muniz Freire, ES, was 24.1 and 24.5, and for Alegre, ES, 26.7 and 27.0 generations for T. pretiosum
and T. exiguum respectively.
KEY WORDS: Insecta, diamondback moth, biological control, parasitoid, cabbage
RESUMO - Comparou-se a biologia de Trichogramma pretiosum Riley e T. exiguum Pinto & Platner
criadas em ovos de Plutella xylostella (L.) em sete temperaturas, e determinaram-se as exigências
térmicas e o número de gerações dos parasitóides para algumas localidades produtoras de crucíferas
dos estados do Espírito Santo e Pernambuco. Ovos de P. xylostella foram submetidos ao parasitismo
por T. pretiosum e T. exiguum, durante 5h, sendo então transferidos para câmaras climatizadas reguladas
a 18, 20, 22, 25, 28, 30 e 32oC. A duração do ciclo (ovo-adulto) variou de 6,8 a 23,1 dias para T. pretiosum
e 6,9 a 22,0 dias para T. exiguum a 32 e 18°C, respectivamente. A porcentagem de emergência foi mais
elevada a 28ºC, sendo aproximadamente 86% para ambas as espécies. A razão sexual de T. pretiosum foi
sempre igual a 1, e variou de 0,6 a 0,9 para T. exiguum. A constante térmica (K) e temperatura base (Tb)
foram maiores para T. exiguum (129,99 graus dias e 13,13ºC) quando comparadas a T. pretiosum (123,03
graus dias e 12,52ºC). O número estimado de gerações anuais de T. pretiosum e T. exiguum para o
município de Gravatá, PE foi de 36,9 e 36,7 gerações/ano, respectivamente. Em Muniz Freire, ES, foi de
24,1 e 24, 5 gerações, e para o município de Alegre, ES, 26,72 e 27,01 gerações para T. pretiosum e T.
exiguum respectivamente.
PALAVRAS-CHAVE: Insecta, traça-das-crucíferas, controle biológico, parasitóide, repolho
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A traça-das-crucíferas Plutella xylostella (L.) é
considerada a praga mais importante das crucíferas em escala
mundial, sendo responsável por grandes perdas em plantios
comerciais de repolho (Barros et al. 1993, França & Medeiros
1998, Castelo Branco & Gatehouse 2001). O controle químico
ainda é o mais utilizado, entretanto, alguns inseticidas
recomendados para o seu controle vêm sofrendo restrições
de uso devido à toxicidade ao homem e meio ambiente. O
controle biológico de P. xylostella pode ser ótima alternativa,
permitindo reduzir os danos causados pela praga e mantendo
a viabilidade econômica do sistema produtivo, sem causar
impactos negativos.
Dentre os parasitóides, o gênero Trichogramma tem sido
o mais estudado e utilizado em programas de controle
biológico, devido a sua eficiência, ampla distribuição
geográfica, facilidade de criação em laboratório e ao fato de
que diversas espécies de Trichogramma já foram coletadas
em mais de 200 hospedeiros, pertencentes a mais de 70 famílias
e oito ordens de insetos (Hassan 1993, Zucchi & Monteiro
1997). De acordo com Zucchi & Monteiro (1997), o Brasil é o
único país da América do Sul onde há relatos de T. pretiosum
parasitando ovos de P. xylostella.
Segundo Fuentes (1994), um dos fatores responsáveis
pelo sucesso da utilização de parasitóides do gênero
Trichogramma no controle de lepidópteros-praga é o
conhecimento de parâmetros biológicos quando associado
a determinado hospedeiro alvo. Noldus (1989) relatou que
tais características podem ser influenciadas por fatores físicos,
como umidade, luz e principalmente pela temperatura.
O conhecimento das exigências térmicas dos parasitóides
permite prever e controlar a sua produção em laboratório
(Parra 1997), bem como determinar a temperatura ótima para
seu desenvolvimento, o melhor sincronismo das criações do
hospedeiro e do parasitóide e estimar o número de gerações
desses insetos para determinada área produtora (Pratissoli
& Parra 2000).
Várias espécies de Trichogramma têm sido mencionadas
como eficientes em relação ao potencial de controle de P.
xylostella em diversos países como T. ostriniae Pang & Chen,
T. chilonis Ishii e T. pintoi Voegelé na Alemanha (Wuhrer &
Hassan 1993), T. pretiosum e T. minutum Riley nos Estados
Unidos (Vasquez et al. 1997), T. evanescens Westwood na
Yugoslavia (Krnjajic et al.1997) e T. voegelei Pintureau, T. oleae
Voegelé & Pointel, T. dendrolimi Matsumura, T. exiguum, T.
chilonis, T. pretiosum, T. buesi Voegelé e T. ostriniae na França
(Tabone et al. 1999).
Alguns aspectos biológicos de T. pretiosum e T. exiguum
foram comparados em hospedeiros e temperaturas diferentes
por Basso et al. (1998) no Uruguai, Harrison et al. (1985) nos
Estados Unidos e Wuhrer & Hassan (1993) na Alemanha.
Porém no Brasil, com exceção de Barros & Vendramim (1999),
são escassos os relatos de pesquisas mencionando aspectos
biológicos de T. pretiosum criados em ovos de P. xylostella,
não se tendo, porém conhecimento de nenhum estudo com
T. exiguum, sendo esse o primeiro relato deste p (...truncated)