Textile dyes
REVISÃO
CORANTES TÊXTEIS
Cláudia C. I. Guaratini e Maria Valnice B. Zanoni
Departamento de Química Analítica - Instituto de Química - UNESP - 14800-900 - Araraquara - SP
Recebido em 7/10/98; aceito em 31/3/99
TEXTILE DYES. A dye is a colored substance used to impart permanent color to other substances. Its most important use is in coloring textile fibers and fabrics. The removal of colour
from dyehouse waste waters is currently a major problem in the textile sector. This paper provides an overview of the treatment technologies that can currently be used by the textile processor
and the developments over the past decade with respect to the toxicological and ecotoxicological
properties of synthetic organic dyes.
Keywords: dyes; organic colorants; textile dyes.
INTRODUÇÃO
A tintura de tecidos é uma arte que começou há milhares de
anos e a disponibilidade comercial de corantes é enorme. A
tecnologia moderna no tingimento consiste de dúzias de etapas
que são escolhidas de acordo com a natureza da fibra têxtil,
características estruturais, classificação e disponibilidade do
corante para aplicação, propriedades de fixação compatíveis
com o destino do material a ser tingido, considerações econômicas e muitas outras1-3.
Durante o processo de tingimento três etapas são consideradas importantes: a montagem, a fixação e o tratamento final4,5.
A fixação do corante à fibra é feita através de reações químicas,
da simples insolubilização do corante ou de derivados gerados e
ocorre usualmente em diferentes etapas durante a fase de montagem e fixação. Entretanto, todo processo de tintura envolve
como operação final uma etapa de lavagem em banhos correntes
para retirada do excesso de corante original ou corante
hidrolisado não fixado à fibra nas etapas precedentes.
O processo de tingimento é um dos fatores fundamentais no
sucesso comercial dos produtos têxteis. Além da padronagem e
beleza da cor, o consumidor normalmente exige algumas características básicas do produto, e.g., elevado grau de fixação
em relação à luz, lavagem e transpiração, tanto inicialmente
quanto após uso prolongado. Para garantir essas propriedades,
as substâncias que conferem coloração à fibra devem apresentar alta afinidade, uniformidade na coloração, resistência aos
agentes desencadeadores do desbotamento e ainda apresentarse viável economicamente.
Em virtude desta demanda, vários milhões de compostos
químicos coloridos têm sido sintetizados nos últimos 100 anos,
dos quais cerca de 10.000 são produzidos em escala industrial.
Entretanto, estimam-se que atualmente 2.000 tipos de corantes
estão disponíveis para a indústria têxtil1,2. Essa diversidade é
justificada, uma vez que cada tipo de fibra a ser colorida requer corantes com características próprias e bem definidas.
As fibras têxteis podem ser divididas em dois grandes grupos denominados fibras naturais e sintéticas3,4,5, cuja estrutura
química principal é mostrada na Figura. 1. As fibras naturais
mais utilizadas são baseadas em celulose (cadeias poliméricas
lineares de glucose) (Fig. 1.1) e proteína (polímero complexo
composto de diferentes aminoácidos) (Fig. 1.2); presentes na
lã, seda, algodão e linho. As fibras sintéticas (Fig. 1.3) são
comercializadas como viscose (xantato de celulose obtida da
madeira) (Fig. 1.4), acetato de celulose (triacetato de celulose
obtido da madeira) (Fig. 1.5), poliamida (condensação do ácido adípico e hexametileno diamina) (Fig. 1.6), poliéster
QUÍMICA NOVA, 23(1) (2000)
(polímero do ácido tereftálico e etilenoglicol) (Fig. 1.7) e acrílico (polimerização da acrilonitrila) (Fig. 1.8).
Figura 1. Estrutura química dos princiais grupos presentes em fibras
têxteis naturais e sintéticas.
Fixação do Corante
A forma de fixação da molécula do corante a essas fibras geralmente é feita em solução aquosa e pode envolver basicamente
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4 tipos de interações: ligações iônicas, de hidrogênio, de Van
der Waals e covalentes.
Interações Iônicas - São tingimentos baseados em interações
mútuas entre o centro positivo dos grupos amino e carboxilatos
presentes na fibra e a carga iônica da molécula do corante ou
vice-versa (ver Figura 2). Exemplos característicos deste tipo
de interação são encontrados na tintura da lã, seda e poliamida.
+
+
+
CO2 Na
NH3
CO2 + Na D
NH3
+
D
Corante
grupos disponíveis
da fibra em meio
interação iônica entre
Corante (D) e a fibra
ácido
Figura 2. Exemplo da interação iônica entre o corante (D) e os grupos amino da fibra da lã.
método pelo qual ele é fixado à fibra têxtil3-6. Os principais
grupos de corantes classificados pelo modo de fixação são mostrados a seguir.
Corantes Reativos - são corantes contendo um grupo eletrofílico
(reativo) capaz de formar ligação covalente com grupos hidroxila
das fibras celulósicas, com grupos amino, hidroxila e tióis das
fibras protéicas e também com grupos amino das poliamidas.
Existem numerosos tipos de corantes reativos, porém os principais contêm a função azo e antraquinona como grupos
cromóforos e os grupos clorotriazinila e sulfatoetilsulfonila como
grupos reativos. Neste tipo de corante, a reação química se processa diretamente através da substituição do grupo nucleofílico
pelo grupo hidroxila da celulose. Um exemplo é aquele do
tingimento usando compostos contendo sulfatoetilsulfona, cuja
adição do corante à fibra requer apenas a prévia eliminação do
grupo sulfato em meio alcalino gerando o composto vinilsulfona,
conforme pode ser visto abaixo:
R - SO2 - CH2 - CH2 - OSO3Na
Interações de Van der Waals - São tingimentos baseados na
interação proveniente da aproximação máxima entre orbitais π
do corante e da molécula da fibra, de tal modo que as moléculas
do corante são “ancoradas” firmemente sobre a fibra por um
processo de afinidade, sem formar uma ligação propriamente
dita. Esta atração é especialmente efetiva quando a molécula do
corante é linear/longa e/ou achatada e pode assim se aproximar
o máximo possível da molécula da fibra. Exemplos característicos deste tipo de interação são encontrados na tintura de lã e
poliéster com corantes com alta afinidade por celulose.
Interações de Hidrogênio - São tinturas provenientes da ligação entre átomos de hidrogênio covalentemente ligados no
corante e pares de elétrons livres de átomos doadores em centros presentes na fibra. Exemplos característicos deste tipo de
interação são encontradas na tintura de lã, seda e fibras sintéticas como acetato de celulose.
corante
O3S R O
H
O H
+
NH3
C
N
fibra de lã
OH
R - SO2 - CH = CH2 + O - celulose
OH
R - SO2 - CH = CH2 + Na2SO4
R - SO2 - CH2 - CH2 - O - celulose
Figura 5. Exemplo do processo de tintura de algodão com corante
contendo o grupo sulfatoetilsufona como centro reativo da molécula.
Este grupo de corantes apresenta como característica uma
alta solubilidade em água e o estabelecimento de uma ligação
covalente entre o corante e a fibra, cuja ligação confere maior
estabilidade na cor do tecido tingido quando comparado a outros tipos de corante em que o pr (...truncated)