Phototherapy: clinical indications
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Educação Médica Continuada
Fototerapia – aplicações clínicas *
Phototherapy – clinical indications*
Tania F. Cestari 1
Simone Pessato 2
Gustavo Pinto Corrêa 3
Resumo: Fototerapia é a modalidade terapêutica que aplica exposições repetidas e controladas de radiação ultravioleta para alterar a fisiologia cutânea de modo a induzir a regressão
ou controlar a evolução de diversas dermatoses. Este texto apresenta uma visão geral das
práticas correntes que utilizam a radiação ultravioleta isolada ou em combinação com fotossensibilizantes ou outras medicações. Serão ainda discutidos os mecanismos de ação de cada
modalidade, as indicações mais aceitas, seus esquemas de prescrição, efeitos adversos e
cuidados especiais.
Palavras-chave: Fotoferese; Fotoquimioterapia; Fototerapia; Terapia Puva; Usos da radiação
Abstract: Phototherapy uses repeated controlled ultraviolet exposures to alter cutaneous
biology, aiming to induce remission or control progression of skin diseases. This is an
overview of the current practice of phototherapy applying ultraviolet radiation alone, in
combination with photosensitizers or other medications. The mechanisms of action, the
most accepted indications, regimens of prescription and side effects will also be discussed.
Key words: Photochemotherapy; Photopheresis; Phototherapy; PUVA therapy; Uses of radiation
INTRODUÇÃO
A exposição ao sol como agente terapêutico é
preconizada desde a Antigüidade, como prática relacionada à religião. Seu uso passou a ser sistemático
quando foram confirmados os efeitos em doenças
cutâneas e sistêmicas.1,2 Os mecanismos de ação da
radiação ultravioleta sobre os seres humanos passaram a ser esclarecidos nos séculos XVIII e XIX, por
Grotthus e Niels Finsen. Porém, o relato de
Goeckerman sobre os resultados da combinação de
alcatrão cru e radiação ultravioleta na psoríase foi o
estímulo maior para o desenvolvimento da fototerapia na dermatologia.
Em 1947, Fahmy et al., no Egito, isolaram um
composto cristalino, a imoidina, a partir de extratos
alcoólicos da planta Ammi majus. Essa substância era
o 8-metoxipsoraleno (8-MOP), e seu uso, tanto oral
como tópico, marcou uma nova era no tratamento
dermatológico.1, 2
A fototerapia é indicada para diversas dermatoses, muitas de alta incidência e difícil controle.3,4 A
partir da experiência com a radiação no espectro
ultravioleta, novas opções têm sido adicionadas, utilizando outros comprimentos de onda, agentes associados e combinações.1
FONTES DE RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA
A radiação solar é a principal fonte de radiação
ultravioleta (RUV). Porém, a utilização do sol apresenta diversas desvantagens: a insolação plena não é sempre disponível, a intensidade de radiação é influenciada por fatores externos, seu espectro varia com a hora,
as estações e situação geográfica, além das dificuldades práticas envolvidas na exposição em si.5
As fontes artificiais de radiação utilizadas para
fototerapia são as lâmpadas de vapor de mercúrio de
média pressão, as halógenas metálicas e as fluores-
*
Trabalho realizado no Serviço de Dermatologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Rio Grande do Sul (RS), Brasil
Conflito de interesse declarado: Nenhum
1
2
3
Prof. Adjunto Doutor em Dermatologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisadora Responsável do Laboratório de Fotomedicina Aplicada do
Centro de Pesquisas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Rio Grande do Sul (RS), Brasil.
Médica Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia - Rio Grande do Sul (RS), Brasil.
Médico Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Preceptor do Programa de Residência Médica do Ambulatório de Dermatologia Sanitária
da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul - Rio Grande do Sul (RS), Brasil.
©2007 by Anais Brasileiros de Dermatologia
An Bras Dermatol. 2007;82(1):5-6.
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Cestari TF, Pessato S, Corrêa GP.
centes.6 As primeiras possuem campo pequeno e com
intensidade de radiação variável. Atualmente seu uso
é restrito devido ao calor, por requerer períodos longos de aquecimento e resfriamento e produzir grande quantidade de ultravioleta C (UVC).6 As lâmpadas
halógenas metálicas incluem o mercúrio e outros
halógenos. Elas emitem um espectro de ultravioleta
(UV) contínuo e de alta intensidade e podem ser acopladas a filtros para comprimentos de onda específicos. Contudo, são mais instáveis, têm pouca durabilidade, e seu custo é relativamente alto.6 As fontes de
irradiação mais usadas na prática são as lâmpadas
fluorescentes, em cabines ou unidades portáteis. Elas
têm a vantagem de aquecer mais rápido e produzir
menos calor. Sua maior desvantagem é o desgaste,
que obriga ao controle periódico da irradiação, com
troca a cada 1.000 horas de uso.5, 6
FOTOTERAPIA
A fototerapia utiliza a radiação ultravioleta que
é absorvida por cromóforos endógenos. As reações
fotoquímicas resultantes alteram a biologia cutânea,
levando ao efeito terapêutico desejado. A radiação
ultravioleta B (RUV-B), na faixa de 290 e 320nm, é o
comprimento de onda de maior efeito biológico.7 Seu
melhor cromóforo é o DNA nuclear, com a formação
de fotoprodutos, principalmente dímeros de pirimidina, que interferem na progressão do ciclo celular,
diminuindo ou bloqueando sua multiplicação. A RUV-B
tem ação direta sobre os ceratinócitos, induzindo
alterações estruturais e funcionais por meio de fenômenos imunológicos e maior produção de citocinas
imunossupressoras.7, 8 As reações adversas provocadas
pela RUV-B em curto e longo prazo podem ser controladas pelo acompanhamento rigoroso dos pacientes ou pela utilização de fontes emissoras portáteis
que tratam apenas as áreas de interesse. A eficácia
terapêutica da RUV-B está associada com a capacidade de induzir eritema. A faixa de maior atividade
situa-se entre 304 e 313nm, atingida pelas lâmpadas
fluorescentes UVB que emitem entre 295 e 350nm,
com pico em 305nm.9 Atualmente há dois principais
tipos de lâmpadas ultravioleta B (UVB) – uma de
espectro amplo, de 290-320nm, e outra, nomeada de
faixa estreita, entre 311 a 312nm. Ambas podem ser
montadas em cabinas ou unidades portáteis de diferentes tamanhos. Os princípios básicos desses tratamentos, suas indicações e os protocolos de uso serão
discutidos separadamente.
PROTOCOLOS DE ADMINISTRAÇÃO DE
FOTOTERAPIA COM UVB
Considerando a possibilidade de efeitos adversos e a necessidade de resultados em menor tempo, é
aconselhável que as doses iniciais de fototerapia com
An Bras Dermatol. 2007;82(1):7-21.
UVB sejam individualizadas, pela determinação da
dose eritematosa mínima (DEM) pessoal, isto é, a
menor dose de energia necessária para produzir eritema leve, 24 horas após a irradiação. A DEM depende do fototipo e da sensibilidade individual, e é obtida pela exposição a doses progressivas de UVB, em
pequenas áreas, geralmente no dorso ou na região
infra-axilar.10,11 Quando não é p (...truncated)