WORKING WITH NARRATIVES IN EDUCATION RESEARCH

Educação em Revista, Jan 2015

In this article we discuss questions such as "What is meant by narrative inquiry?" and "What are the epistemological, theoretical and methodological references related to such researches and what are the implications concerning the products of generated knowledge?" With the intention of approaching and acknowledging their diversity in training and research in Education, we draw a map of narrative researches conducted in Brazil. Four categories have been identified: 1. narrative as construction of meaning of an event, 2. (auto) biographical narrative, 3. narrative of experiences planned for research, and 4. narrative of lived experiences. We explicit objects, methods, and implications in this research. In particular, we draw attention to the fourth type of narrative, which incorporates our experience as researchers and trainers. We have adopted Bakhtin's notions of subject and world; Larrossa's experience concept; and Benjamin's narrative and advice notions. We have signaled some analysis' categories and learned lessons from the research on the lived ones in the process of teacher training.Palavras-chave : Narrative inquiry; Experience; Teacher training..

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WORKING WITH NARRATIVES IN EDUCATION RESEARCH

17 http://dx.doi.org/10.1590/0102-4698130280 O TRABALHO COM NARRATIVAS NA INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO Maria Emília Caixeta de Castro Lima* Corinta Maria Grisolia Geraldi** João Wanderley Geraldi*** RESUMO: No presente artigo discutimos questões como: o que se entende por investigação narrativa? Quais são os referenciais epistemológicos e teóricometodológicos dessas pesquisas e suas implicações em termos de produtos dos conhecimentos gerados? Apresentamos um mapa das pesquisas narrativas feitas no país como modo de aproximação e reconhecimento da diversidade delas na formação e na pesquisa em educação. Identificamos quatro tipos de usos de narrativas: 1) narrativa como construção de sentidos de um evento; 2) narrativa (auto)biográfica; 3) narrativa de experiências planejadas para pesquisas; 4) narrativa de experiências do vivido. Explicitamos objetos, métodos e implicações. Destacamos o quarto tipo com que estamos envolvidos em nossa experiência como pesquisadores e formadores. Valemo-nos das visões de sujeito e de mundo de Bakhtin, do conceito de experiência de Larrosa e da narrativa e do conselho em Benjamin. Sinalizamos algumas categorias de análise e extraímos lições sobre as pesquisas do vivido no processo de formação docente. Palavras-chave: Investigação narrativa. Experiência. Formação de professores. * Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE-UFMG). E-mail: ** Doutora em Educação e Professora Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: *** Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Colaborador da Universidade do Porto, Portugal. E-mail: Educação em Revista|Belo Horizonte|v.31|n.01|p.17-44|Janeiro-Março 2015 18 WORKING WITH NARRATIVES IN EDUCATION RESEARCH ABSTRACT: In this article we discuss questions such as “What is meant by narrative inquiry?” and “What are the epistemological, theoretical and methodological references related to such researches and what are the implications concerning the products of generated knowledge?” With the intention of approaching and acknowledging their diversity in training and research in Education, we draw a map of narrative researches conducted in Brazil. Four categories have been identified: 1. narrative as construction of meaning of an event, 2. (auto) biographical narrative, 3. narrative of experiences planned for research, and 4. narrative of lived experiences. We explicit objects, methods, and implications in this research. In particular, we draw attention to the fourth type of narrative, which incorporates our experience as researchers and trainers. We have adopted Bakhtin’s notions of subject and world; Larrossa’s experience concept; and Benjamin’s narrative and advice notions. We have signaled some analysis’ categories and learned lessons from the research on the lived ones in the process of teacher training. Keywords: Narrative inquiry. Experience. Teacher training. Vivemos, pois, numa sociedade intervalar, uma sociedade de transição paradigmática. Esta condição e os desafios que ela nos coloca fazem apelo a uma racionalidade ativa, porque em trânsito, tolerante, porque desinstalada de certezas paradigmáticas, inquieta, porque movida pelo desassossego que deve, ela própria, potenciar. (Boaventura de Sousa Santos, 2000, p.41) INTRODUÇÃO Há mais de duas décadas o recurso das narrativas vem sendo usado na formação docente e na pesquisa. Essa temática entrou no Brasil a partir de Nóvoa (1991, 1992) com as histórias de vida de professores, seguido por Connelly e Clandinin (1995), entre outros. O uso das narrativas como método de investigação ou de pesquisa (aqui tratadas como sinônimos) decorre, em parte, da insatisfação com as produções no campo da educação que se caracterizaram por falar sobre a escola em vez de falar com ela e a partir dela. A crítica às pesquisas realizadas sobre a escola e sobre professores se fortaleceu no Brasil principalmente a partir dos anos de 1990, considerando-se a separação entre professor e pesquisador acadêmico (GERALDI, C.; FIORENTINI; PEREIRA, 1998). Educação em Revista|Belo Horizonte|v.31|n.01|p.17-44|Janeiro-Março 2015 19 Consideramos que o modo como muitas pesquisas têm caracterizado os profissionais da educação e o cotidiano da escola é distante, enviesado e diferente dos modos de compreensão e significação elaborados pelos próprios sujeitos pesquisados (GERALDI, C., 2006). Genuinamente diferentes são os sentidos produzidos pelas pesquisas em que os próprios sujeitos são autores e coautores das narrativas. Em outras palavras, pesquisar sobre os professores e pesquisar com os professores ou pesquisar na escola e com a escola, resultam em estudos diversos. Muitas pesquisas realizadas ainda hoje se valem de um referencial teórico-metodológico que decorre da crença em uma suposta objetividade capaz de conferir confiabilidade e autoridade à medida que o pesquisador não se deixe envolver pela realidade que pesquisa. Daí a importância atribuída aos instrumentos utilizados, cuja neutralidade e cuja não orientação são geralmente pressupostas. Acredita-se, com isso, ser possível assegurar uma maior validade aos achados, evitando-se a “contaminação” dos dados pelo olhar do pesquisador ou por seus horizontes, “deixados vazar” nas entrevistas, nas perguntas que compõem um questionário, no ângulo que foca a filmagem, nas entonações dos enunciados proferidos. Todo o esforço é para evitar os encontros de palavras e contra palavras. Contudo, é justamente o “cuidado” teórico-metodológico de o pesquisador manter distância, objetividade e neutralidade que tem produzido pesquisas nas quais os sujeitos cada vez menos se reconhecem uma vez que suas práticas, seus saberes e fazeres se aproximam de uma caricatura. Além disso, as conclusões produzidas por essas pesquisas, consideradas consistentes pelo rigor teórico-metodológico, acabam autorizadas a expor, julgar, criticar, formatar e prescrever práticas. Os lugares de circulação de tais pesquisas restringem-se às dissertações, às teses e aos periódicos1. Têm como destinatários examinadores e pareceristas envolvidos com bancas, congressos científicos e periódicos especializados. Em geral, os sujeitos investigados têm um acesso a essas produções como “leitores potenciais” de revistas e livros. Mas os resultados dessas pesquisas embasam os processos de formação e incidem sobre os principais interessados – os sujeitos que fazem a escola – como discursos autorizados dos formadores ou como fundamentos na elaboração de políticas públicas. A aproximação entre pesquisador e pesquisado, longe de ser um mecanismo de “contaminação” da pesquisa, significa a possibilidade de construção de outras compreensões acerca das nossas experiências. Entre os modos de enfrentar o desafio das Educação em Revista|Belo Horizonte|v.31|n.01|p.17-44|Janeiro-Março 2015 20 pesquisas com en (...truncated)


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Maria Emília Caixeta de Castro Lima, Corinta Maria Grisolia Geraldi, João Wanderley Geraldi. WORKING WITH NARRATIVES IN EDUCATION RESEARCH, Educação em Revista, 2015, pp. 17-44, Volume 31, Issue 1, DOI: 10.1590/0102-4698130280