Tutoring: space for overcoming or keeping learning difficulties?
Reforço escolar: espaço de superação ou
manutenção das dificuldades escolares?
Marli Lúcia Tonatto Zibetti
Flávia Pansini
Flora Lima Farias de Souza
Resumo
O trabalho apresenta resultados de pesquisa desenvolvida em Rolim de Moura - RO, na qual foram investigados os procedimentos adotados
pelas escolas quando as crianças enfrentam dificuldades na alfabetização. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi desenvolvida em oito escolas
públicas estaduais da área urbana e utilizou entrevistas, análise documental e observações participantes. Neste texto serão apresentados os
dados relativos ao reforço escolar os quais indicam que, embora essa atividade esteja prevista nos projetos pedagógicos das escolas e os
professores disponham de tempo específico na jornada de trabalho destinado a essa tarefa, as condições nas quais as crianças são atendidas,
na maior parte das escolas analisadas, não favorecem o processo de aprendizagem. Os dados indicam, ainda, que em apenas uma das escolas
participantes da pesquisa o coletivo de professores inseriu inovações interessantes na forma como o reforço foi desenvolvido, beneficiando as
crianças em processo de alfabetização.
Palavras-chave: Aprendizagem, alfabetização, ensino fundamental.
Tutoring: space for overcoming or keeping learning difficulties?
Abstract
In this paper we present the results of a research developed in Rolim de Moura RO, Northern Brazil. We investigate the procedures adopted by the
schools when the children face literacy difficulties .The qualitative research was developed in eight elementary public schools in the urban area.
We conducted interviews, document analysis and participant observation. We present the data concerning the tutoring and we argue that they
reveal that although this activity is prescribed in the educational projects prepared by the schools and teachers and that there is a specific time for
the task within their working hours, the conditions in which children are attended, in most of the schools, do not favour the learning process. The
data also indicates that in only one of the schools of our research, the group of teachers innovated the way of developing tutoring, thus benefiting
children’s literacy process.
Keywords: Learning, literacy, elementary education.
Refuerzo escolar: ¿espacio de superación o mantenimiento
de dificultades escolares?
Resumen
El trabajo presenta resultados de investigación desarrollada en Rolim de Moura (Rondonia) en la que se indagó sobre los procedimientos de las
escuelas frente a niños que enfrentan dificultades en la alfabetización. La investigación se desarrolló en ocho escuelas públicas estatales de
área urbana y utilizó entrevistas, análisis documental e observaciones participantes. El texto presentará los datos relativos al refuerzo escolar
que indican que, no obstante, esta actividad esté prevista en los proyectos pedagógicos de las escuelas y los maestros dispongan de tiempo
específico en la jornada de trabajo destinado a esta tarea, las condiciones en las que los niños son atendidos en la mayor parte de las escuelas
analizadas no favorecen al proceso de aprendizaje. Los datos señalan que solamente en una de las escuelas participantes de la investigación el
colectivo de maestros introdujo elementos innovadores e interesantes al realizar el refuerzo promoviendo beneficios para los niños en proceso
de alfabetización.
Palabras clave: Aprendizaje, alfabetización, enseñanza de primer grado.
Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 16, Número 2, Julho/Dezembro de 2012: 237-246.
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Introdução
O presente texto tem por objetivo discutir as ações de
reforço escolar desenvolvidas com crianças que enfrentam
alguma dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita
em escolas públicas de um município no interior do Estado
de Rondônia.
A adoção de políticas públicas específicas para
atender a essa clientela, tais como a implantação do Ciclo
Básico de Aprendizagem (CBA) e a garantia de tempo na
jornada de trabalho dos professores da rede estadual para
planejamento e atendimento aos alunos, faz dessa realidade
um espaço propício para a realização de investigações que
apontem os avanços e as dificuldades enfrentadas pelas escolas para atingir o objetivo de alfabetizar todas as crianças.
Num primeiro momento, pretendemos enfocar, neste
trabalho, uma breve discussão sobre a questão do fracasso escolar na alfabetização, revisando estudos marcantes
sobre a temática. Em seguida, apresentamos o método
utilizado para a produção dos dados que ilustrarão, posteriormente, a discussão dos resultados obtidos. Para melhor
compreensão das relações abordadas no presente estudo,
os dados foram discutidos à luz de uma perspectiva crítica
de educação e aprendizagem escolar.
Fracasso escolar e alfabetização
Quando uma criança ingressa no ensino fundamental, as expectativas familiares, escolares e das próprias
crianças voltam-se para uma rápida aprendizagem da leitura
e da escrita. Quando as expectativas não se confirmam e,
por algum motivo, a criança não consegue aprender a ler e
a escrever no tempo estabelecido pela escola (normalmente
os dois primeiros anos de escolarização no ensino fundamental), tem início a produção de explicações que historicamente foram buscadas nos próprios indivíduos.
O trabalho de Proença (2002) sobre os encaminhamentos de crianças para atendimento psicológico indica que
um grande número dos casos diz respeito às crianças que
estão em processo de alfabetização. No estudo desenvolvido por Scortegagna e Levandowski (2004), as autoras
constataram que houve predominância, dentre os encaminhamentos, de crianças cursando a segunda série do ensino
fundamental (atual 3º ano), ou seja, ainda em processo de
alfabetização, decaindo o número destas conforme avançam as séries.
O fracasso na alfabetização inspirou estudiosos e especialistas a construírem diferentes explicações que foram
mudando ao longo dos anos. A falta de “prontidão” da criança para o processo de alfabetização levou a escola a adotar
diferentes atitudes em relação aos estudantes oriundos
de classes populares, normalmente diagnosticados como
“imaturos”. Em alguns casos, meninos e meninas eram retidos na educação infantil, ou permaneciam em classes de
alfabetização até que fossem considerados aptos a serem
alfabetizados. Em outras situações, eram submetidos a uma
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série de exercícios de preparação, que eram centrados no
desenvolvimento de habilidades perceptivo-motoras até que
fossem considerados “prontos” a iniciar seu aprendizado do
código alfabético. Essa maturidade deveria ocorrer por volta
dos sete anos, idade considerada como ideal para se dar
início à alfabetização, quando o cérebro da criança teria desenvolvido habilidades suficientes para absorver uma carga
maior de informações.
Quando algumas crianças não apresentavam o desempenho esperado pela escola, no ritmo estabelecido com
base em um padrão de normalidade considerado ideal, estas eram tidas com (...truncated)