Joint group and work in school: exchanging looks, changing practices

Educação em Revista, Jan 2009

The work developed by an educational group of an Elementary School in the Municipal Schools of Campinas (SP) during 2004-2005, aiming at restructuring the teaching of reading classes is reported. One of the group issues was the learning deficiency of some first-grade students in relation to the expectancy standard. Thus, the teachers furthered a deep change, responsible as they were for the development of all those who needed "some other time" to learn. These teachers´ joint work potentialities are emphasized as they change the traditional reinforcement classes at school, a solitary teacher-student practice, contrasting to the collective reinforcement practice which established new forms of organization that enabled students to interact with different teachers, and created the opportunity for teachers to exchange varying points of view about one same student.

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Joint group and work in school: exchanging looks, changing practices

63 DOI XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX GRUPO E TRABALHO COLETIVO NA ESCOLA: TROCANDO OLHARES, MUDANDO PRÁTICAS1 Laura Noemi Chaluh* RESUMO: O presente artigo trata do trabalho desenvolvido por um grupo de formação instituído em uma escola de ensino fundamental da Rede Municipal de Campinas-SP, no período de 2004 a 2005, cujo objetivo foi a redefinição do trabalho com as classes de alfabetização. Uma das inquietações do grupo foi a não-aprendizagem de alguns dos alunos das primeiras séries no tempo que a escola seriada estipula. Em função disso, as professoras promoveram uma mudança significativa ao assumir a responsabilidade pela aprendizagem de todos os alunos dessas séries que precisavam de “outros tempos”. Enfatizo, neste texto, a potencialidade do trabalho conjunto dessas professoras quando decidiram mudar a prática do reforço já instituída na escola, prática solitária professoraaluno. A prática coletiva do reforço estabeleceu novas formas de organização que possibilitaram aos alunos vivenciar o trabalho com outras professoras, bem como proporcionar-lhes a possibilidade de trocar olhares sobre um mesmo aluno. Palavras-chave: Formação; Trabalho Coletivo; Prática Pedagógica JOINT GROUP AND WORK IN SCHOOL: EXCHANGING LOOKS, CHANGING PRACTICES ABSTRACT: The work developed by an educational group of an Elementary School in the Municipal Schools of Campinas (SP) during 2004-2005, aiming at restructuring the teaching of reading classes is reported. One of the group issues was the learning deficiency of some first-grade students in relation to the expectancy standard. Thus, the teachers furthered a deep change, responsible as they were for the development of all those who needed "some other time" to learn. These teachers´ joint work potentialities are emphasized as they change the traditional reinforcement classes at school, a solitary teacher-student practice, contrasting to the collective reinforcement practice which established new forms of organization that enabled students to interact with different teachers, and created the opportunity for teachers to exchange varying points of view about one same student. Keywords: Education; Joint Work; Pedagogical Practice Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (UNICAMP); Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada (GEPEC) e Professora do Ensino Primário. Licenciada em Ciências da Educação. E-mail: * Educação em Revista | Belo Horizonte | v. 25 | n. 01 | p. 63-84 | abr. 2009 64 “O que humaniza o olho do homem é a humanidade do objeto.” (Valdemir Miotello) 1. PESQUISAR NA ESCOLA Estive inserida como pesquisadora em uma escola de ensino fundamental da Rede Municipal de Campinas, desde agosto de 2003 até dezembro de 2005. A questão que me inquietava era saber como seria a constituição do grupo dos professores na escola em um sistema em que, segundo a política pública de formação, havia um favorecimento do trabalho coletivo e dos espaços de formação dentro da escola. Assim, perguntei-me: quais os sentidos que assume a política pública de formação quando chega à escola? Para entender o cotidiano da referida instituição, considerei a abordagem da escola a partir da concepção de Rockwell e Ezpeleta (1986), que observam a importância de olhar a realidade da escola como “positividade”, no sentido do existente (p. 10). Essa concepção implica entrar na escola e olhar o que nela existe, vendo a escola em si mesma, considerando o que nela acontece, e aí estará a sua positividade. Para as autoras, a escola, mesmo fazendo parte de um movimento maior (da história, de relações sociais, do sistema educacional), recebe em cada lugar uma versão única, surge “a necessidade de olhar com particular interesse o movimento social a partir de situações e dos sujeitos que realizam anonimamente a história” (ROCKWELL E EZPELETA, 1986, p. 11). As teorias tradicionais têm trabalhado a partir de uma história documentada, que mostra a escola como instituição homogênea, no sentido que ela se repete em todos os lugares e que nela se reproduzem os mesmos sistemas de valores. Segundo Rockwell e Ezpeleta (1986, p. 13), coexiste, “contudo, com esta história e existência documentada, outra história e existência não documentada, através da qual a escola toma forma material, ganha vida”. De todos os caminhos percorridos nessa escola, opto, neste texto, por narrar a constituição e o desenvolvimento de um dos grupos instituídos nela, o Grupo de Reflexão sobre Letramento e Alfabetização (GA). Pretendo dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por esse grupo, apontando as ações pedagógicas promovidas ao longo dos anos 2004 e Educação em Revista | Belo Horizonte | v. 25 | n. 01 | p. 63-84 | abr. 2009 65 2005, destacando uma mudança muito signficativa em relação à concepção da “prática do reforço” já instituída na escola. Ao dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por esse grupo, resgato a idéia de construção social da escola (ROCKWELL; EZPELETA, 1986), realizada anonimamente por cada um dos sujeitos que fazem a história da escola cotidianamente. A singularidade de um trabalho coletivo desenvolvido em uma escola evidencia as ações dos sujeitos anônimos, ou sujeito ordinários, no dizer de Certeau (2002), as professoras que fazem/ constroem a escola pública no dia-a-dia. 2. A FORMAÇÃO DAS PROFESSORAS: UM OLHAR A PARTIR DOS DISCURSOS DA POLÍTICA Considero importante apontar algumas das idéias centrais que sustentaram a proposta educativa da Secretaria Municipal de Educação de Campinas (SME), no período de 2001 a 2004. Em especial, destaco os discursos dessa gestão em relação à questão da formação das professoras dessa rede. Da leitura da documentação elaborada por essa Secretaria, depreende-se uma valorização das professoras como sujeitos que têm nas mãos possibilidades para promover mudanças. No primeiro boletim2 (SME, 2001a), apareceram oito princípios que embasavam algumas ações que se pretendiam realizar nessa gestão, dos quais resgato: “respeito aos saberes dos profissionais da educação, para que não se perca o que já foi construído”, “compreensão do profissional como alguém que está em contínuo aprendizado, sendo, portanto, capaz de agir”. Em outro boletim, considerava-se que “participar de Grupos de Formação é um direito dos profissionais de Educação e um compromisso político-pedagógico desta Secretaria” (SME, 2001b). Importante ressaltar que, segundo a Secretaria, não basta que os profissionais só divulguem práticas e promovam estudos, considerando que é fundamental que a escola olhe para esses grupos “como necessários ao seu trabalho pedagógico e que os grupos propiciem um retorno das atividades desenvolvidas à comunidade escolar”. Isso tem a ver com as dificuldades que existiam em algumas escolas quando alguns docentes participavam dos Grupos de Formação (GF’s), mas isso não era levado para a própria comunidade escolar que desconhecia o trabalho desenvolvido. Nesse sentido, não se potencializavam os benefícios (...truncated)


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Laura Noemi Chaluh. Joint group and work in school: exchanging looks, changing practices, Educação em Revista, 2009, pp. 63-84, Volume 25, Issue 1, DOI: 10.1590/S0102-46982009000100004