Joint group and work in school: exchanging looks, changing practices
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DOI XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
GRUPO E TRABALHO COLETIVO NA ESCOLA:
TROCANDO OLHARES, MUDANDO PRÁTICAS1
Laura Noemi Chaluh*
RESUMO: O presente artigo trata do trabalho desenvolvido por um grupo de formação
instituído em uma escola de ensino fundamental da Rede Municipal de Campinas-SP, no
período de 2004 a 2005, cujo objetivo foi a redefinição do trabalho com as classes de
alfabetização. Uma das inquietações do grupo foi a não-aprendizagem de alguns dos
alunos das primeiras séries no tempo que a escola seriada estipula. Em função disso, as
professoras promoveram uma mudança significativa ao assumir a responsabilidade pela
aprendizagem de todos os alunos dessas séries que precisavam de “outros tempos”.
Enfatizo, neste texto, a potencialidade do trabalho conjunto dessas professoras quando
decidiram mudar a prática do reforço já instituída na escola, prática solitária professoraaluno. A prática coletiva do reforço estabeleceu novas formas de organização que
possibilitaram aos alunos vivenciar o trabalho com outras professoras, bem como
proporcionar-lhes a possibilidade de trocar olhares sobre um mesmo aluno.
Palavras-chave: Formação; Trabalho Coletivo; Prática Pedagógica
JOINT GROUP AND WORK IN SCHOOL:
EXCHANGING LOOKS, CHANGING PRACTICES
ABSTRACT: The work developed by an educational group of an Elementary School in the
Municipal Schools of Campinas (SP) during 2004-2005, aiming at restructuring the
teaching of reading classes is reported. One of the group issues was the learning deficiency of some first-grade students in relation to the expectancy standard. Thus, the
teachers furthered a deep change, responsible as they were for the development of all
those who needed "some other time" to learn. These teachers´ joint work potentialities
are emphasized as they change the traditional reinforcement classes at school, a solitary
teacher-student practice, contrasting to the collective reinforcement practice which
established new forms of organization that enabled students to interact with different
teachers, and created the opportunity for teachers to exchange varying points of view
about one same student.
Keywords: Education; Joint Work; Pedagogical Practice
Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de Campinas
(UNICAMP); Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada
(GEPEC) e Professora do Ensino Primário. Licenciada em Ciências da Educação.
E-mail:
*
Educação em Revista | Belo Horizonte | v. 25 | n. 01 | p. 63-84 | abr. 2009
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“O que humaniza o olho do homem
é a humanidade do objeto.”
(Valdemir Miotello)
1. PESQUISAR NA ESCOLA
Estive inserida como pesquisadora em uma escola de ensino
fundamental da Rede Municipal de Campinas, desde agosto de 2003 até
dezembro de 2005. A questão que me inquietava era saber como seria a
constituição do grupo dos professores na escola em um sistema em que,
segundo a política pública de formação, havia um favorecimento do
trabalho coletivo e dos espaços de formação dentro da escola. Assim,
perguntei-me: quais os sentidos que assume a política pública de formação quando chega à escola?
Para entender o cotidiano da referida instituição, considerei a
abordagem da escola a partir da concepção de Rockwell e Ezpeleta
(1986), que observam a importância de olhar a realidade da escola como
“positividade”, no sentido do existente (p. 10). Essa concepção implica
entrar na escola e olhar o que nela existe, vendo a escola em si mesma,
considerando o que nela acontece, e aí estará a sua positividade. Para as
autoras, a escola, mesmo fazendo parte de um movimento maior (da
história, de relações sociais, do sistema educacional), recebe em cada
lugar uma versão única, surge “a necessidade de olhar com particular
interesse o movimento social a partir de situações e dos sujeitos que
realizam anonimamente a história” (ROCKWELL E EZPELETA, 1986,
p. 11).
As teorias tradicionais têm trabalhado a partir de uma história
documentada, que mostra a escola como instituição homogênea, no
sentido que ela se repete em todos os lugares e que nela se reproduzem
os mesmos sistemas de valores. Segundo Rockwell e Ezpeleta (1986, p.
13), coexiste, “contudo, com esta história e existência documentada, outra
história e existência não documentada, através da qual a escola toma
forma material, ganha vida”.
De todos os caminhos percorridos nessa escola, opto, neste
texto, por narrar a constituição e o desenvolvimento de um dos grupos
instituídos nela, o Grupo de Reflexão sobre Letramento e Alfabetização
(GA). Pretendo dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por esse grupo,
apontando as ações pedagógicas promovidas ao longo dos anos 2004 e
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2005, destacando uma mudança muito signficativa em relação à concepção da “prática do reforço” já instituída na escola.
Ao dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por esse grupo,
resgato a idéia de construção social da escola (ROCKWELL; EZPELETA,
1986), realizada anonimamente por cada um dos sujeitos que fazem a
história da escola cotidianamente. A singularidade de um trabalho coletivo
desenvolvido em uma escola evidencia as ações dos sujeitos anônimos, ou
sujeito ordinários, no dizer de Certeau (2002), as professoras que fazem/
constroem a escola pública no dia-a-dia.
2. A FORMAÇÃO DAS PROFESSORAS:
UM OLHAR A PARTIR DOS DISCURSOS DA POLÍTICA
Considero importante apontar algumas das idéias centrais que
sustentaram a proposta educativa da Secretaria Municipal de Educação de
Campinas (SME), no período de 2001 a 2004. Em especial, destaco os
discursos dessa gestão em relação à questão da formação das professoras
dessa rede.
Da leitura da documentação elaborada por essa Secretaria,
depreende-se uma valorização das professoras como sujeitos que têm nas
mãos possibilidades para promover mudanças. No primeiro boletim2 (SME,
2001a), apareceram oito princípios que embasavam algumas ações que se
pretendiam realizar nessa gestão, dos quais resgato: “respeito aos saberes dos
profissionais da educação, para que não se perca o que já foi construído”,
“compreensão do profissional como alguém que está em contínuo aprendizado, sendo, portanto, capaz de agir”. Em outro boletim, considerava-se
que “participar de Grupos de Formação é um direito dos profissionais de
Educação e um compromisso político-pedagógico desta Secretaria” (SME,
2001b). Importante ressaltar que, segundo a Secretaria, não basta que os
profissionais só divulguem práticas e promovam estudos, considerando que
é fundamental que a escola olhe para esses grupos “como necessários ao seu
trabalho pedagógico e que os grupos propiciem um retorno das atividades
desenvolvidas à comunidade escolar”. Isso tem a ver com as dificuldades que
existiam em algumas escolas quando alguns docentes participavam dos
Grupos de Formação (GF’s), mas isso não era levado para a própria
comunidade escolar que desconhecia o trabalho desenvolvido. Nesse
sentido, não se potencializavam os benefícios (...truncated)