Taxonomic note on Aechmea Ruiz & Pav. (Bromeliaceae, Bromelioideae) and the first record of Aechmea triangularis L.B.Sm. in the Paraná State, Brazil
Rodriguésia 65(2): 555-561. 2014
http://rodriguesia.jbrj.gov.br
Nota Científica / Short Communication
Nota taxonômica em Aechmea Ruiz & Pav.
(Bromeliaceae, Bromelioideae) e primeiro registro
de Aechmea triangularis L.B.Sm. no estado do Paraná, Brasil1
Taxonomic note on Aechmea Ruiz & Pav. (Bromeliaceae, Bromelioideae) and the first record
of Aechmea triangularis L.B.Sm. in the Paraná State, Brazil
Shyguek Nagazak Alves Miyamoto2,4 & Rosângela Capuano Tardivo3
Resumo
Durante o estudo taxonômico do gênero Aechmea Ruiz & Pav. no estado do Paraná, Brasil, Aechmea
guaratubensis E. Pereira não foi encontrada em campo ou herbários, com exceção do holotypus. Este nome
é proposto aqui como nova sinonímia de Aechmea recurvata (Klotzsch) L.B.Sm. Por outro lado, Aechmea
triangularis L.B.Sm., conhecida até então como endêmica do estado do Espírito Santo, é registrada pela
primeira vez no estado do Paraná.
Palavras-chave: Aechmea, distribuição geográfica, taxonomia.
Abstract
During a taxonomic study of the genus Aechmea Ruiz & Pav. in the Paraná State, Brazil, Aechmea guaratubensis
E. Pereira was not found in fieldworks or in herbarium collections, unless by the holotypus. This name is
proposed here as a new synonym of Aechmea recurvata (Klotzsch) L.B.Sm. Moreover, Aechmea triangularis
L.B.Sm., known as endemic from Espírito Santo State, is recorded for the first time in the Paraná State.
Key words: Aechmea, geographical distribution, taxonomy.
Introdução
Aechmea Ruiz & Pav. é o maior gênero
da subfamília Bromelioideae (Bromeliaceae)
com 255 espécies, distribuídas do México ao sul
da Argentina, das quais 178 ocorrem no Brasil
(Luther 2008; Forzza et al. 2013). Esse gênero é
caracterizado morfologicamente por apresentar
sépalas, em geral, fortemente assimétricas, com
mucros terminais bem desenvolvidos; pétalas
sustentando dois apêndices e, muitas vezes, duas
calosidades longitudinais; estames inclusos,
com anteras dorsifixas; e ovário completamente
ínfero, com óvulos geralmente caudados (Ruiz &
Pavón 1797; Smith & Downs 1979).
Durante a realização de estudos
taxonômicos sobre o gênero Aechmea Ruiz &
Pav. no estado Paraná, Brasil, a espécie Aechmea
guaratubensis E. Pereira, citada pela literatura
como endêmica desse estado, não foi encontrada
em campo ou nos herbários visitados, com
exceção do holotypus. Essa espécie foi descrita
por Edmundo Pereira (1972), com base em um
único espécime coletado por Milton Leining
em abril de 1972 e depositado no Herbário
Bradeanum, Rio de Janeiro. A partir da análise
do holotypus e da descrição original, observouse grande proximidade morfológica entre A.
guaratubensis e Aechmea recurvata (Klotzsch)
Parte da dissertação de Mestrado do primeiro autor.
Universidade Estadual de Ponta Grossa/Universidade Estadual do Centro Oeste, Programa de Pós-graduação em Biologia Evolutiva, Av. Carlos Cavalcanti
4748, 84030-900, Ponta Grossa, PR, Brasil.
3
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Depto. Biologia Geral, Programa de Pós-graduação em Biologia Evolutiva, Av. Carlos Cavalcanti 4748, 84030-900,
Ponta Grossa, PR, Brasil.
4
Autor para correspondência:
1
2
Carregosa, T. & Costa, S.M.
556
L.B.Sm., espécie facilmente reconhecida e
abundante no estado.
Por outro lado, Aechmea triangularis
L.B.Sm., conhecida até então como endêmica
do estado do Espírito Santo, foi registrada
pela primeira vez no estado do Paraná. Essa
espécie é facilmente reconhecida pelas folhas
com margens distintamente aculeadas, com
ápices recurvados; escapo e inflorescência
densamente albo-flocosos; brácteas do escapo
rosadas a avermelhadas, com margens serreadas;
inflorescência simples, densiflora e ovoide;
brácteas florais avermelhadas; flores com ovário e
cálice castanhos, e corola azul. Tais características
fazem de A. triangularis a espécie mais distinta de
Aechmea subg. Macrochordion (de Vriese) Baker
(Faria et al. 2010).
Portanto, o objetivo deste trabalho foi
realizar uma análise taxonômica comparativa de
Aechmea recurvata e A. guaratubensis, bem como
descrever o primeiro registro de A. triangularis
para o Paraná.
Material e Métodos
Este estudo foi baseado nas observações
em campo no Paraná, realizadas em expedições
de coleta de abril de 2011 a dezembro de 2012,
às seguintes regiões fitogeográficas do estado:
Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila
Mista e Campos Gerais do Paraná (sensu Roderjan
et al. 2002). O material coletado foi herborizado
seguindo procedimentos descritos por Fidalgo &
Bononi (1989) e depositado no herbário HUPG,
da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Além
disso, foram analisadas exsicatas depositadas nas
coleções dos herbários BR, EFC, FUEL, GH, HB,
HBR, HUPG, MBM, SP e UPCB (acrônimos
segundo Thiers, continuously updated), dentre as
quais, materiais-tipo de Aechmea recurvata (foto
BR), A. guaratubensis (HB) e A. triangularis
(foto GH). Ainda, foram analisadas as descrições
originais dos táxons aqui tratados e consultada a
literatura especializada.
A terminologia utilizada nas descrições
segue Radford et al. (1974) e Gonçalves &
Lorenzi (2011). A descrição de Aechmea
recurvata foi baseada na análise do holotypus
de A. recurvata var. benratti (Mez) Reitz, do
material coletado e das descrições nas obras de
Smith & Downs (1979), Reitz (1983) e Wanderley
& Martins (2007). Os dados morfológicos de A.
guaratubensis foram obtidos a partir da análise do
holotypus e da descrição original. Os espécimes
de A. triangularis coletados no Paraná foram
identificados em comparação com o holotypus,
com a descrição original (Smith 1955) e com a
descrição e chave de identificação presentes no
trabalho de Faria et al. (2010). A descrição de A.
triangularis foi baseada no material coletado no
Paraná. A indicação do estado de conservação
dessa espécie, no Paraná, seguiu critérios da
IUCN (2001; 2012). O mapa de distribuição foi
elaborado utilizando os programas Quantum Gis
1.8 e Corel Draw 15.0, a partir das coordenadas
das localidades do material examinado.
Resultados
1. Aechmea recurvata (Klotzsch) L.B.Smith, Contr.
Gray Herb. 98: 5. 1932. Typus: Blass Hortus, s/
data, s/n (Holotypus B). Aechmea guaratubensis
E.Pereira, Bradea 1(25): 278. 1972. Typus: BRASIL.
PARANÁ: Guaratuba, 20.IV.1972, M. Leining 506
(Holotypus HB!), syn. nov.
Fig. 1a-d
Epífita ou rupícola, raramente terrícola.
Planta florida 7,5–27 cm de alt. Rizoma ca. 11
× 0,7–1,5 cm. Folhas 15–35, raramente menos,
13–70 cm compr., raramente até 115 cm compr.,
recurvadas, coriáceas, formando uma roseta
pseudo-utriculada; bainhas 2,4–11 × 1–6,5 cm,
estreito-ovadas a ovadas, margens inteiras, verdearroxeadas; lâminas 7,5–62 × 0,5–3 cm larg. na
base, lineares a estreito-triangulares, verdes
nas folhas externas e geralmente vermelhas
nas internas durante a floração, face abaxial
lepidota com nervuras evidentes e face adaxial
lisa e glabrescente, margens com acúleos de 1–2
mm, ápice atenuado e pungente. Escapo 4–18 ×
0,6–1,4 cm, incluso na roseta foliar, alvo, glabro;
brácteas do escapo geralmente 5, imbricad (...truncated)