Smallpox, an old foe

Cadernos de Saúde Pública, Jan 2001

Smallpox has accompanied mankind for centuries, causing deaths and permanent lesions. Used in the past as a biological weapon during wars, it has come into focus again precisely because of this renewed possibility, although the disease has been eradicated in the Americas since 1971 and worldwide since 1977. Data gathered during the eradication campaigns show that the disease spread relatively slowly through close contacts between patients and susceptibles. Sub-clinical infection in non-vaccinated individuals was a rare event, and blockade vaccination surrounding new cases (as long as these cases were confirmed early) was able to prevent the disease from spreading in the community. Even with only one dose, vaccinated individuals rarely developed a serious case of the disease upon reinfection. The use of smallpox as a biological weapon should be considered a real possibility, although according to the available data, highly virulent viral suspensions spread very close to the target population would be necessary to infect a large number of persons.Palavras-chave : Communicable Disease Control; Bioterrorism; Smallpox.

Article PDF cannot be displayed. You can download it here:

http://www.scielo.br/pdf/csp/v17n6/6979.pdf

Smallpox, an old foe

OPINIÃO OPINION 1525 A varíola, uma antiga inimiga Smallpox, an old foe Hermann G. Schatzmayr 1 1 Departamento de Virologia, Abstract Smallpox has accompanied mankind for centuries, causing deaths and permanent le- Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Brasil 4365, Rio de Janeiro, RJ 21040-360, Brasil. sions. Used in the past as a biological weapon during wars, it has come into focus again precisely because of this renewed possibility, although the disease has been eradicated in the Americas since 1971 and worldwide since 1977. Data gathered during the eradication campaigns show that the disease spread relatively slowly through close contacts between patients and susceptibles. Sub-clinical infection in non-vaccinated individuals was a rare event, and blockade vaccination surrounding new cases (as long as these cases were confirmed early) was able to prevent the disease from spreading in the community. Even with only one dose, vaccinated individuals rarely developed a serious case of the disease upon reinfection. The use of smallpox as a biological weapon should be considered a real possibility, although according to the available data, highly virulent viral suspensions spread very close to the target population would be necessary to infect a large number of persons. Key words Communicable Disease Control; Bioterrorism; Smallpox Resumo A varíola acompanhou o homem por muitos séculos, causando mortes e lesões graves e irreversíveis. Usada como arma biológica em situações de guerra, volta a ser tema de discussão no mundo exatamente por essa possibilidade, apesar de ter sido erradicada das Américas em 1971, e do mundo em 1977. Os dados acumulados durante as Campanhas de Erradicação, mostram que a infecção se disseminava com relativa lentidão, através de contato muito próximo do receptor com o paciente. Infecções sub-clínicas em não-vacinados eram raras e vacinações de bloqueio em torno de novos casos, desde que estes fossem identificados e confirmados com rapidez, eram capazes de impedir a disseminação da infecção. As transmissões indiretas através de aerossóis eram menos comuns. Vacinados mesmo uma única vez, raramente apresentavam doença grave, no caso de reinfecção. A possibilidade de uso do vírus da varíola como arma biológica deve ser considerada como real, apesar de, com base nos conhecimentos atuais, serem necessárias suspensões virais de alta potência, lançadas muito próximo das pessoas a serem atingidas em grande número. Palavras-chave Controle de Doenças Transmissíveis; Bioterrorismo; Varíola Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 17(6):1525-1530, nov-dez, 2001 1526 SCHATZMAYR, H. G. A varíola teria surgido na Índia, sendo descrita na Ásia e na África desde antes da era cristã (McNeill, 1976). Sua presença constante e o medo que levava às populações geraram inúmeras lendas e cultos. Exemplos disso, são as divindades representando a doença, tanto na Índia como na África, esta última trazida para o Brasil e que se apresenta sempre com o rosto coberto, devido às cicatrizes causadas pela doença em seu rosto. Introduzida na Europa já na era cristã, a exemplo de outras doenças como a sífilis e a peste, a varíola atingia segmentos amplos da população, deixando um rastro de mortes, cegueira e cicatrizes irreversíveis. Usada como arma biológica pelos exércitos de Cortez, no México, foi seguramente a principal responsável pela derrota dos astecas, que não possuíam qualquer imunidade contra a doença (McNeill, 1976). Ainda como arma biológica, foi utilizada por exércitos e colonizadores em suas lutas contra outras populações indígenas em várias regiões das Américas (Garrett, 1995). No Brasil, a varíola foi referida pela primeira vez em 1563, na Ilha de Itaparica, na Bahia, disseminando-se para Salvador e causando grande número de casos e óbitos, principalmente entre os indígenas (MS, 1973a). Passou à história, a prática milenar usada na Ásia e na África, de se infectar pessoas sadias que se queria imunizar contra a varíola, com material obtido de lesões de casos menos graves da doença, técnica denominada variolização, certamente com a ocorrência de casos graves em parte dos vacinados e a eventual transmissão de outras doenças. No final do século XVIII, Edward Jenner, médico inglês, ao investigar em maior profundidade o fato de que ordenhadores, em contato com lesões de pele e úbere de bovinos, não se infectavam com a varíola ou apresentavam uma forma bem mais branda da doença, abriu uma nova perspectiva de controle da mesma. Com o material coletado dessas lesões, Jenner escarificava a pele de pessoas a quem desejava imunizar. A história registra o dia 14 de maio de 1796, no qual Jenner coletou material de uma lesão pustular nas mãos de uma ordenhadora de nome Sarah Nelmes e o inoculou na pele de James Phillips, vacinando-o contra a varíola (Fenner et al., 1989). Apesar das críticas e receios com base em convicções religiosas e filosóficas, bem como a existência de efeitos colaterais, o medo da doença levou à rápida disseminação desta prática de infeção voluntária, desde o início do século XIX. Amostras de vírus utilizadas para vacinação chegaram ao Brasil em torno de 1840, tra- Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 17(6):1525-1530, nov-dez, 2001 zidas pelo Barão de Barbacena, sendo utilizadas principalmente na proteção de famílias nobres. Posteriormente, o cirurgião Barão de Pedro Afonso, criou um Instituto privado para o preparo de vacina anti-variólica no país, sendo mais tarde encarregado pelo governo de estabelecer o Instituto Municipal Soroterápico no Rio de Janeiro, posteriormente, Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Apesar de alguns sucessos isolados, vacinações mal organizadas nos países onde a varíola era endêmica e vacinas de qualidade duvidosa mantinham a doença nestas áreas como uma terrível realidade. Em 1958, a então União Soviética apresentou uma proposta à Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, no sentido de se estabelecer uma campanha internacional para a eliminação da varíola no mundo. Naquela ocasião, a varíola ainda ocorria em 33 países (Fenner et al., 1988; Garrett, 1995). A região das Américas foi pioneira na estruturação da sua campanha. No Brasil, entre 1967 e 1971, se executou a chamada fase de ataque, com a vacinação sistemática de toda a população, alcançando-se um total de 81.745.290 vacinados, em outubro de 1971, sendo que, em abril deste mesmo ano, havia sido diagnosticado o último caso no Brasil e nas Américas, na cidade do Rio de Janeiro (MS, 1973a). Após a fase de ataque, se implantou uma vacinação dirigida a algumas regiões e à população de 0-4 anos, tendo como meta a vacinação de 90% deste grupo. Em 1972, vacinaram-se 5.487.710 e em 1973, 5.701.521 pessoas de todas as idades, mostrando o grande esforço realizado para se impedir a volta da doença, que naqueles anos ainda persistia na Ásia e na África (MS, 1973b). A vacinação foi sendo gradualmente desativada ao longo dos anos seguintes e, em 19761977, foi interrompi (...truncated)


This is a preview of a remote PDF: http://www.scielo.br/pdf/csp/v17n6/6979.pdf
Article home page: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-311X2001000600024&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

Hermann G. Schatzmayr. Smallpox, an old foe, Cadernos de Saúde Pública, 2001, pp. 1525-1530, Volume 17, Issue 6, DOI: 10.1590/S0102-311X2001000600024