About collective work at school: encounters in the difference

Pro-Posições, Jan 2010

This article deals with the establishment of an educational group of teachers who work with early grades of primary education in a municipal school in the state of São Paulo. The group redefined the established practice of make-up classes established in the school and assumed the co-responsibility for the learning of those children who needed extra time for learning. This fact encouraged teachers to work together to promote a collective effort to help all children. The collective dimension appeared when teachers, aware of the conflicts experienced in school practice, defined objectives and actions that enabled students' learning. We explicit that the development of collective work does not imply the absence of differences and consider that it is possible to agree on the objectives that the group's participants work for, in spite of the differences.Keywords : teacher education; collective work; school.

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About collective work at school: encounters in the difference

207 Do trabalho coletivo na escola: encontros na diferença Laura Noemi Chaluh* Resumo: O presente artigo trata da constituição de um grupo de formação composto por professoras das primeiras séries do Ensino Fundamental de uma escola municipal no interior do Estado de São Paulo. O grupo redefiniu a prática do reforço instituída na escola e assumiu a corresponsabilidade pela aprendizagem dos alunos dessas séries que precisavam de outros tempos para aprender. Esse fato potencializou o empenho conjunto das professoras ao promover um trabalho coletivo para acolher todas as crianças. A dimensão coletiva apareceu quando o grupo, perante os conflitos vividos a partir da prática escolar, tomou consciência deles e definiu objetivos e ações que possibilitaram aos seus alunos aprender. Explicita-se que desenvolver um trabalho coletivo não implica o apagamento das diferenças e considera-se que, com elas, é possível haver coincidência dos objetivos pelos quais os participantes de um grupo trabalham. Palavras-chave: formação de professores; trabalho coletivo; escola. About collective work at school: encounters in the difference Abstract: This article deals with the establishment of an educational group of teachers who work with early grades of primary education in a municipal school in the state of São Paulo. The group redefined the established practice of make-up classes established in the school and assumed the co-responsibility for the learning of those children who needed extra time for learning. This fact encouraged teachers to work together to promote a collective effort to help all children. The collective dimension appeared when teachers, aware of the conflicts experienced in school practice, defined objectives and actions that enabled students’ learning. We explicit that the development of collective work does not imply the absence of differences and consider that it is possible to agree on the objectives that the group’s participants work for, in spite of the differences. Key words: teacher education; collective work; school. Introdução O discurso das políticas educativas e a literatura educacional enfatizam a importância da gestão democrática da escola e do trabalho coletivo dos professores. A consideração desses aspectos pode levar à melhoria da qualidade de ensino, pois são concebidos como mecanismos que possibilitam alterar práti* Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Biociências da Unesp (Campus Rio Claro), Rio Claro, SP, Brasil. Pro-Posições, Campinas, v. 21, n. 2 (62), p. 207-223, maio/ago. 2010 208 cas pedagógicas (Spósito, 2001). Proponho discutir essa problemática, considerando os conceitos de coletividade, trabalho coletivo e dimensões do trabalho coletivo, a partir de minha experiência com um grupo de professoras no interior de uma escola de Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Campinas-SP. A Secretaria Municipal de Educação (SME)1 desse município, no último ano de sua gestão, possibilitou a constituição de um Grupo de Trabalho em cada uma das escolas dessa rede, com o intuito de que os professores refletissem sobre a especificidade da alfabetização. Foi ampliado o horário de trabalho dos professores dentro da escola para favorecer a reflexão conjunta sobre essa temática. A proposta foi realizada com os professores das 1as., 2as. e 5as. séries das escolas de Ensino Fundamental, já que, nessas séries, evidenciavam-se dificuldades em relação à aquisição de leitura e escrita. Estive inserida como pesquisadora em uma escola de Ensino Fundamental da referida rede para acompanhar e participar dos espaçostempos de reflexão, instituídos na tentativa de compreender como as professoras, em forma conjunta, recriavam a política pública de formação e assumiam a sua própria formação. Neste texto narro a constituição e o desenvolvimento do grupo que foi instituído na referida escola e denominado “Grupo de Reflexão sobre Letramento e Alfabetização” (GA). Esse grupo teve como objetivo refletir sobre os processos de aquisição da leitura e da escrita, tomar consciência da própria prática e redefinir o trabalho com as classes de alfabetização. A partir dessa experiência problematizo, a seguir, as possibilidades de desenvolver um trabalho coletivo por um grupo de professoras no âmbito da escola, apontando as motivações que levaram as participantes a gerar uma ação conjunta a favor dos alunos. Ao analisar tal ação, procuro compreender as dimensões do trabalho coletivo desenvolvido por esse grupo. A constituição do grupo de formação Do GA participavam as professoras das 1as. e 2as. séries, a orientadora pedagógica, a diretora e eu, a pesquisadora. O grupo iniciou os encontros em março de 2004 e continuou até dezembro de 2005. Os encontros eram semanais e, nesse espaço, a responsabilidade pela coordenação do encontro era assumida por todas as participantes. Uma das primeiras ações desenvolvidas pelo grupo foi a socialização, por parte da professora Ítala2, de um curso de alfabetização oferecido pela SME do 1. 2. Faço referência à gestão da Secretaria de Educação de Campinas no período 2001-2004. Meu agradecimento às professoras citadas, que me autorizaram a socializar suas falas. Pro-Posições, Campinas, v. 21, n. 2 (62), p. 207-223, maio/ago. 2010 209 qual ela havia participado. Outras ações desenvolvidas nesses dois anos foram: apresentação da dissertação de mestrado de uma das professoras, focalizando como tema a ansiedade nas crianças; apresentação da dissertação de mestrado da diretora da escola sobre leitura e escrita; oficinas de matemática coordenadas pela pesquisadora; definição dos objetivos de português para as 1as e 2as séries (instaurando o pré-conselho); análise de produções dos alunos; leituras de textos, vídeos que tratavam sobre alfabetização; seleção e compra de material didático; análise de atividades desenvolvidas pelas professoras com os alunos nas suas salas de aula, entre outras. Nos primeiros encontros, percebeu-se que as discussões sobre letramento e alfabetização estavam permeadas por uma questão que começou a ecoar no grupo: o interesse das professoras por saber como fazer as intervenções adequadas no processo de aprendizagem dos alunos: FT13 – Fita GA, 28 de abril de 2004 Ítala: No curso de alfabetização foram colocadas algumas questões pela professora de 2a. série justamente disso. De ter o grupo fragmentado [faz referência à heterogeneidade], inclusive uma tarefa de casa que a gente vai ter que fazer dentro da sala, é de você estar fragmentando, dividindo a sala em grupos de acordo com as fases da escrita, em seu caso [Mônica] você só tem um grupo que não está alfabetizado, não é? Mônica: Dois tipos. Ítala: Para esse grupo de alfabéticos4, você pode, por exemplo, ainda ela comentou com a gente, dar uma música, que eu vou ter que fazer, a escuta dirigida de uma música conhecida, mas que eu nunca trabalhei a letra. Os alfabéticos, a gente exige a ortografia correta, então (...truncated)


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Laura Noemi Chaluh. About collective work at school: encounters in the difference, Pro-Posições, 2010, pp. 207-223, Volume 21, Issue 2, DOI: 10.1590/S0103-73072010000200013