Electrochemical hydride generation for selenium determination in a flow injection system with Air-GLP flame atomic absorption spectrometric detection
ARTIGO
GERAÇÃO ELETROQUÍMICA DO HIDRETO DE SELÊNIO EM SISTEMA DE INJEÇÃO EM FLUXO COM
DETECÇÃO POR ESPECTROMETRIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA COM CHAMA AR-GLP
Luís Fernando Rebel Machado
Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP)
Antonio Octavio Jacintho e Maria Fernanda Giné
Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) - CP 96 - 13400-970 - Piracicaba - SP
Recebido em 29/9/98; aceito em 5/4/99
ELECTROCHEMICAL HYDRIDE GENERATION FOR SELENIUM DETERMINATION IN A
FLOW INJECTION SYSTEM WITH AIR-GLP FLAME ATOMIC ABSORPTION SPECTROMETRIC DETECTION. This paper presents a system for electrochemical hydride generation using
flow-injection and atomic absorption spectrometry to determine selenium in biological materials.
The electrolytic cell was constructed by assembling two reservoirs, one for the sample and the
other for the electrolytic solution separated by a Nafion membrane. Each compartment had a Pt
electrode. The sample and electrolyte flow-rates, acidic media, and applied current were adjusted
to attain the best analytical performance and ensure the membrane lifetime. The atomisation system used a T quartz tube in an air-LPG flame. The composition of the flame, the observation
height, and the argon flow rate used to carry the hydrides were critically investigated. The system
allowed to perform thirty determinations per hour with a detection limit of 10 µg L -1 of Se. Relative standard deviations were in general lower than 1.5% for a solution containing 20.0 and 34.0 µg
L -1 of Se in a typical sample digest. Accuracy was assessed analysing the certified materials: rice
flour (NIST-1568) from National Institute of Standard and Technology and dried fish (MA-A-2),
whole animal blood (A-2/1974) from the International Atomic Energy Agency.
Keywords: electrochemical hydride generation; selenium in biological material; air-LPG flame.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o aumento da demanda para determinações de selênio em diferentes matrizes, vem despertando o
interesse para o desenvolvimento de novos métodos1. Compostos binários de hidrogênio com alguns elementos são conhecidos como hidretos e são caracterizados por apresentar-se em
estado gasoso à temperatura ambiente2. Dentre estes, temos os
de As, Bi, Sb, Se, Sn, Pb, Ge e Te. Esta característica dos
hidretos possibilita a sua separação das respectivas matrizes,
usando um simples separador de fases líquido/gás, e a
minimização de possíveis interferências químicas e/ou
espectrais3. Além disto, promove-se maior eficiência na introdução das espécies no atomizador e, quando estas ficam confinadas em uma cela de atomização, ocorre a pré-concentração,
conseguindo-se aumento significativo na sensibilidade4. Desta
forma, a técnica de geração de hidretos (GH) tem se constituído num dos recursos mais utilizados para determinação de
baixas concentrações de As e Se em diferentes amostras1,5.
A produção dos hidretos em dispositivos acoplados aos
espectrômetros atômicos tem sido efetuada pela redução com
NaBH4 em meio ácido5, entretanto esta técnica apresenta algumas desvantagens.Este reagente pode introduzir contaminantes
e em solução aquosa é instável tendo que ser preparado diariamente. Lin e colaboradores6 apresentaram um sistema de geração eletroquímica de hidretos em fluxo (FIA) acoplado ao espectrômetro de absorção atômica usando cela aquecida por
resistividade. Os autores mostraram a viabilidade do sistema
alternativo para determinação de As, Se e Sb em fluídos biológicos. Posteriormente, o sistema de geração eletroquímico de
hidretos tem sido acoplado à espectrometria de emissão atômica com plasma7,8 e absorção atômica com forno de grafite9,10.
Estes autores usaram na câmara eletrolítica a membrana Nafion
para separação do anodo e catodo e ácido sulfúrico em diferentes concentrações como solução eletrolítica. As modificações
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introduzidas ficaram por conta do formato da câmara (retangular6,7,9,10 e circular8) e do material dos eletrodos empregados
(platina6,7,8, chumbo6,9,10, carbono vítreo6). A geração do hidreto
de selênio com sistema eletroquímico, compreende segundo Ding
e Sturgeon11, em pelo menos três eventos sequenciais; redução e
deposição do analito na superfície do catodo (sítios específicos
na superfície ativada), reação do analito depositado com o hidrogênio nascente (H •) gerado na superfície do catodo, e
subsequente desorção do hidreto do analito.
No presente trabalho foi desenvolvido um sistema em fluxo
contínuo acoplado ao gerador eletroquímico de hidreto visando
a determinação de Se em amostras biológicas por espectrometria
de absorção atômica com atomização em tubo de quartzo aquecido por chama ar-GLP. Este método de geração de hidretos não
utiliza redutores químicos, o que diminui riscos de contaminação na solução da amostra, é menos susceptível à ação de outros
íons e se constitui em mais uma alternativa eficaz para a determinação de espécies químicas que formam hidretos.
PARTE EXPERIMENTAL
Equipamentos e Acessórios
O sistema em fluxo foi montado com uma bomba
peristáltica (Ismatec, mp 13 GJ-4) usando-se 8 canais de
bombeamento com tubos de Tygon de diferentes diâmetros,
injetor comutador proporcional, conectores tipo Y feitos em
acrílico e tubo de polietileno de 0,8 mm d.i. A câmara
eletrolítica foi construída conforme desenho mostrado na Figura 1. As peças da câmara foram confeccionadas em acrílico. As lâminas de Pt (Degusa) de 0,040 x 15 x 120 mm e a
membrana Nafion® 117 (Aldrich) foram inseridas na montagem por sobreposição das placas. Os eletrodos de Pt foram
conectados à fonte elétrica com corrente variável de 0 a 3000
mA e temporizador. A câmara de difusão gás-líquido usada
QUÍMICA NOVA, 23(1) (2000)
Amostras
Foram analisadas amostras de peixe homogenizado (MA-A-2),
sangue animal liofilizado (A-2/1974) certificados pela IAEA
(International Atomic Energy Agency) e farinha de arroz SRM 1568 certificada pelo NIST (National Institute of Standard and
Technology). Estas amostras foram digeridas seguindo procedimentos descritos anteriormente16,17. Após o processo de digestão em temperatura ambiente, o Se6+ foi reduzido a Se4+ adicionando-se 1,0 mL de HCl 5,0 mol L-1 e aquecendo-se a 95oC
durante 20 min.Os volumes foram completados para 10 mL com
0,5 mol L-1 H2SO4 .
Sistema de fluxo
Figura 1. Esquema da câmara eletrolítica. Na parte superior as setas
indicam a entrada da amostra A e saída para o sistema S, e na parte
inferior a entrada do eletrólito E, e recirculação para o reservatório
R. Mostra-se a colocação das lâminas de Pt com as conexões elétricas
e da membrana Nafion N. As dimensões encontram-se indicadas em
mm. Os círculos indicam os lugares de colocação dos parafusos.
foi semelhante à descrita em trabalhos anteriores12,13. Para
atomização, usou-se tubo de quartzo em forma de “T” aberto
nas extremidades14,15, colocado no suporte do queimador de
três fendas do espectrômetro de absorção atômica (Perkin
Elmer, 306) e lâmpada EDL energizada com fonte modular
(EDL System 2). Para o registro dos sinais (...truncated)